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Eu Visto Filmes


Resolvi me organizar e fazer um cronograma para o meu Blog (se quiser levar isso para frente tenho que levar isso a sério) e decidi que dedicarei as quintas feiras para filmes de Sci-fi, Fantasia e Super- Heróis e, para começar, vai ser um dos meus filmes de Sci-fi favorito: Prometheus.
O filme conta a história de dois cientistas que acham desenhos na Terra que são iguais a alguns desenhos de um outro planeta e, então, eles encontram um milionário que banque a expedição que teria o objetivo de encontrar a origem da vida. A expedição que vai para outro planeta investigar algumas figuras que dois cientistas encontraram e acreditam ter relação com a origem da vida. O filme tem ótimas paisagens, é inteligente, tem um bom desenvolvimento  e, dependendo do clima que se assiste no dia, dá uma sensação de frio. Além disso, tem um final excelente (eu gosto desse tipo de final que o filme tem) e também conta com um ótimo elenco, Charlize Theron, Noomi Rapace, Idris Elba e Michael Fassbender (aka meu ator favorito).


Sempre quando assisto um filme de sfi-fi ambientado no futuro, Prometheus se passa em 2089/2093 (os integrantes da tripulação “hibernam” de 2089 até 2093, que é o período da viajem da Terra até o planeta da pesquisa), eu me assusto um pouco, porque na maioria deles o figurino é uma coisa muito sóbria, que lembra hospital ou uma plataforma de petróleo para mim, e pensar que um futuro onde as quase sempre serão iguais e com as mesmas cores (uma paleta de cinza, azul escuro, verde musgo, etc) não é lá muito animador e agradável, e, em Prometheus, essa receita é repetida, a diferença é que a figurinista não nos apresenta apenas roupas que parecem pijamas ou uniforme hospitalar, mas algumas camisetas e blusas masculinas parecem algo com que todo mundo pudesse utilizar no dia-a-dia. As cores permanecem a mesma junção de cinza, azul, branco e verde musgo de sempre, o que ajuda naquela sensação de frio que falei acima, mas que na minha opinião é algo bem sem graça.



Agora a peça que mais se destaca no filme é o traje espacial. Como Prometheus se passa alguns anos antes de Alien, a peça não poderia ser a mesma ou algo muito parecido. O traje é composto de duas peças, uma azul que vai por cima (com uma armadura) e uma que funciona como roupa debaixo do traje espacial, que é azul e laranja. Segundo uma entrevista da própria figurinista, o traje espacial foi feito para dar a impressão de todas as funções corporais integradas a ele e a “roupa debaixo” azul com as “linhas laranjas” seria uma espécie de monitoramento das funções vitais.   




O capacete também merece um ENORME destaque nesse figurino. Foram criados diversas versões, pois o diretor queria que o capacete tivesse o formato de um ovo e, segundo a figurinista, foi um enorme desafio para fazê-lo sem que tivesse nenhuma junção e nenhuma imperfeição. O capacete possuía algumas luzes de LED para iluminar os atores e, dentro do traje espacial, foi necessário colocar alguns ventiladores para que o capacete não condensasse. 




A responsável pelo figurino de Alien foi a super experiente, e ganhadora de Oscar por Gladiador, Janty Yates (gracinha também, já que tem umas fotos de bastidores dela bem engraçadas). Ela tem um ótimo currículo e, certamente, você já viu algum filme com figurino feito por ela com certeza. Ela foi responsável pelo figurino da continuação Alien: Covenant, que contem a co-assinatura do estilista inglês Craig Green, mas isso é assunto para outro post...
Wrote by Eu Visto FIlmes

Como última terça do mês, e prometido, hoje vou falar sobre o figurino de um dos filmes mais bonitos que eu assisti esse ano: Retrato de uma Jovem em Chamas (2019, dir. Céline Sciamma).

A sinopse do filmes diz que ele se passa durante o século 18, quando a jovem Marianne, uma pintora, é contratada para fazer um retrato de casamento de Héloïse sem que essa saiba e as duas se tornam próximas, desde de o momento em que Marianne chega até um tempo antes do casamento de Héloïse. Falando assim o filme não parece lá muito interessante, mas, além dum uma fotografia e direção maravilhosas e interpretações belíssimas, o filme é delicado ao mostrar a aproximação e a construção do relacionamento das duas.

Qualquer história de amor contada no cinema, atualmente, é muito banal, muito rápida e poucas mostram o crescimento do amor através de pequenos gestos, frases e detalhes que nunca serão esquecidos, independente do que venha a acontecer com o casal. Na minha opinião, pequenos gestos sempre importarão muito mais, é algo que fica somente entre as pessoas envolvidas no relacionamento e que, mesmo após anos, esse sendo repetido sempre fará um lembrar do outro, é algo extremamente pessoal quase como uma mensagem secreta (não tenho como dar maiores detalhes senão darei um spoiler do filme).


Além da linda história, o filme conta com um figurino digno do século em que a história se passa e, um ponto super a favor (na minha opinião, claro) é que as roupas SE REPETEM! Se um filme tenta ser o mais fiel possível a época, não tem lógica alguma as personagens utilizarem diferentes modelos de roupas (a Revolução Industrial estava começando no século 18, tecidos eram caros e as roupas eram feitas de forma manual).


Por alto, o filme deve conter uns 3 vestidos das personagens principais (o azul e o verde de Héloïse e o vermelho de Marianne). Tanto o vestido azul como o vermelho seguem a moda da época, eles possuem a silhueta um pouco mais folgada (em uma das cenas do filme é possível ver Marianne com um corpete que parece um pouco mais folgado), a saia é um pouco armada na altura do quadril e há o tecido branco aparecendo no decote arredondado que é uma parte da chemise (no século 18 não era tão mais comum essa parte aparecer na vestimenta que, alguns séculos antes, quanto mais limpa e branca essa chemise fosse era para identificar que a “pessoa estava limpa”, já que banhos não eram tão comuns). É importante notar, e algo que a própria figurinista falou, que as mulheres naquele período eram “modelos e prêmios”, portanto não havia a necessidade de um vestido que permitisse uma movimentação fácil das mulheres, por isso existe bolso, que eram comuns aquela época já que a bolsa viria alguns anos mais tarde, no vestido vermelho de Marianne, que dá uma maior fluidez a ela.







Quanto ao vestido verde, que é a peça central e de maior destaque na história, ele é um modelo de Robe (provavelmente à la française), com a cintura mais marcada e afunilada, a saia muito mais amplas que os outros dois vestidos e com a famosa “prega de Watteau”. Como dito acima, os vestidos na época eram para “prender” as mulheres e esse modelo parece fazer bem isso.



O figurino perfeito fica por conta da francesa Dorothée Guiraud que tem um extenso currículo na área e para a criação dos vestidos ela disse que se influenciou em alguns pintores da época, como Jean-Baptiste-Siméon Chardin, Adélaïde Labille-Guiard, e Élisabeth Louise Vigée Le Brun.
Wrote by Eu Visto FIlmes
Após um tempo sem muitas ideias para postar no blog me surgiu uma e resolvi fazer uma coluna mensal sobre figurinos de filmes dirigidos por mulheres (última terça feira de cada mês). O primeiro deles será Mary Shelley (2017, dir. Haifaa Al Mansour).

O filme conta a história da ascensão da romancista Mary Shelley, autora de Frankenstein. Longe de mim dizer se o filme conta exatamente a história da escritora (eu quase não tenho conhecimento sobre a mesma), mas eu gostei do filme e de como a diretora apresentou aquela Inglaterra em que viveu Mary Shelley (começo do século XIX). Além disso, eu gosto do elenco, todos os atores são muito bons e o filme conta com nomes como Elle Fanning, Joanne Froggatt e Tom Sturridge.
 
O figurino fica por conta de Caroline Koener, uma figurinista de Luxemburgo de, atualmente, 34 anos, que não tem um longo currículo e que trabalha tanto com figurino de teatro como de cinema.
O período retratado durante o filme é o inicio da carreira de Mary Shelley, portanto retrata uma época pobre da autora (não tenho conhecimento que ela chegou a ficar rica depois, mas os retratos que se tem dela a mostram com vestimentas um pouco mais ornamentadas), sendo assim, a figurinista soube usar bem a vestimenta de alguém que não tinham muito dinheiro para gastar com roupas (lembrando que nessa época a maior parte das roupas eram feitas de forma manual).

A estética da época era a neoclássica, ideias e o movimento artístico voltaram-se mais uma vez para a Grécia clássica. Portanto a vestimenta tornou-se mais simples e leve e ganhou rápida ascensão e é possível ver essa influencia nos vestidos das personagens: elas utilizam o vestidos de cintura alta, que deixando a cintura natural e sem a necessidade de espartilho (conhecido como silhueta do Império, já que a Imperatriz Joséphine de Beauharnais foi responsável pelo sua disseminação na Europa durante o Primeiro Império de Napoleão), a saia longa e solta. Além disso, talvez pelo frio, as personagens femininas sempre usam uma jaquetinha curta de lã, em alguns momentos também há sobretudos.








Exemplo vestido silhueta império


A vestimenta dos personagens masculinos, os que levam mais destaque são Lord Byron e Percy Bysshe Shelley, são a do dândi inglês (casaco cortado alto na cintura para realçar as pernas e o tronco; e os ornamentos no pescoço) e, no caso de Lord Byron, o banyan (uma espécie de roupão folgado inspirado nos quimonos japoneses que simbolizava status).




Exemplo de banyan

Em um geral eu gostei bastante do figurino, acho que a Caroline Koener foi bem fiel ao estilo da época e fico pensando que ela seria uma ótima figurinista para outros filmes de época, com certeza faria um belo trabalho.
Wrote by Eu Visto FIlmes
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Historiadora apaixonada por moda, cinema e livros. Aqui você encontrará conteúdo sobre figurino de filmes e séries.

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