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Eu Visto Filmes

Depois de quase dois meses sem postar nada (isso ou mais que isso) estou voltando hoje com um filme que foi o meu favorito do ano passado: Aves de Rapina, ou Birds of Prey. Basicamente o filme passa a história de um grupo de heroínas que se unem para lutar contra um vilão em comum. Na minha opinião, esse foi o melhor filme da DC em ANOS, e tinha tudo para ter uma bilheteria enorme, mas achei o marketing feito para ele bem fraco.

Já lá nos desenhos, a personagem da Arlequina sempre foi muito amada, sendo para muitas garotas uma espécie de referencia de vilã (normalmente vilãs femininas eram chatas e sempre eram a mesma coisa), mas o surgimento dela foi algo diferente do que se via. Claro que no começo, e durante muito tempo, ela sempre aparecia colada ao Coringa, mas depois da popularização dela nas series animadas e quadrinhos ela se transformou em uma personagem única que não precisava de ninguém para ser grandiosa.

A maior jogada que ocorreu com a personagem foi a aparição dela em Esquadrão Suicida que, além de ter sido o destaque do filme, a junção dela e do Coringa em um filme chamou muita atenção e é exatamente ai que começamos com alguns problemas.

Pra mim, em nenhum momento, a Arlequina foi colocada em Esquadrão Suicida para atrair um público masculino, pelo contrário, ela foi inteiramente jogada ali para atrair o público masculino (roupas curtas e a cena ridícula dela trocando de roupa são alguns dos exemplos). David Ayer tinha um elenco ótimo nas mãos, mas pecou muito no roteiro, cortes, figurino e, principalmente, por querer agradar a um único público só. Mas, vamos esquecer essa “bomba” e nos atentar a Aves de Rapina que, graças a Margot Robbie, seu amor pela personagem, sua visão e produção, aconteceu!

Além de ser uma boa história, divertida e com muita “porrada”, a equipe, em grande parte feminina, conseguiram fazer com que muitas personagens, que para mim haviam perdido a graça (leia Canário Negro que Arrow fez questão de estragar), ganhasse brilhantismos que eu sentia falta. Sabe quando você vê um filme ou uma serie e se apaixona por um personagem e durante muito tempo é só sobre ele que você quer falar (ou ver ou baixar fotos na internet)? Foi exatamente isso que a diretora Cathy Yan conseguiu fazer. Obviamente que a Arlequina tem um maior destaque no filme, mas todas as personagens são maravilhosas e eu, sei que muito gente também, fiquei morrendo de vontade de ver mais delas. Não faltou história de origem de cada uma, não teve rivalidade feminina (tks!), teve comédia, brigas, heroísmo na medida certa, criou uma linguagem aonde os problemas vividos por elas gerava certa identificação nos telespectadores, possui diversidade e, além de tudo isso que fez o filme ser ainda mais incrível, tivemos um figurino maravilhoso e sem ser sexista.


 Olhando algumas reportagens da figurinista Erin Benach (em seu currículo temos filmes como A Luz entre os Oceanos – um dos meus filmes favoritos - Nasce uma Estrela, Drive, Demônio de Neon; podemos ver muita coisa parecida entre esses dois últimos e Aves de Rapina), a mesma diz que para criar o look da Arlequina, o qual Margot Robbie já tinha declarado que dá versão anterior ela não se sentia confortável neles, se inspirou nos quadrinhos em que a personagem aparece e mesclou com o que eles estavam querendo criar como Gotham. A gente sente uma pegada meio “clubber”/ Jeremy Scott e, de certa forma, foram looks muito mais “usáveis” no dia-a-dia.




 

Para a Canário (eu estou muito contente com o que a Jurnee Smollett fez com a personagem), Erin trouxe uma pegada meio disco dos anos 1970, brilho, boca de sino, um pouco de barriga de fora e jaqueta e couro (uma característica da personagem).



 

 
Para a caçadora, além da paleta roxa e preta da personagem, vieram muitos agasalhos por conta da funcionalidade e da busca pela qual a personagem tem no filme.



 

Com a Renee Montoya, a figurinista saiu um pouco do padrão “roupa de policial feminina” (isso é algo que me incomoda muuuuuito nos filmes em que mulheres são policiais e também em como as mulheres que concorrem a cargos governamentais precisam se vestir), tem um pouco de barriga de fora, decote e jóias.


 

Para Cassandra Cain, ela possui um estilo bem jovem e atual, com peças coloridas, shorts, adereços de cabelo (boné e lenços). Para mim, ela ficou muito uma garota da idade dela que REALMENTE tem a idade dela e se diverte (ultimamente as crianças/adolescente são maduros e fora da realidade demais).


 

O último temos o Máscara Negra que, na minha opinião (embora eu goste bastante da atuação do Ewan McGregor) foi um coringa sem maquiagem, ela trouxe muita seda e cetim, veludo e muitos ternos excêntricos (uma coisa meio dono da mansão da playboy com Bono Vox) e gostei que fosse um vilão bem vaidoso.



 

A junção de todos os looks na atmosfera dessa Gotham que foi criada nesse filme ficou incrível para mim, gostei de TUDO e, além da história em si, Erin Benach conseguiu deixar o filme mais divertido, bonito e interessante com seus looks criados para cada personagem...Erin merece, com certeza, uma nota 10!

 obs: desculpem a qualidade das fotos.

Wrote by Eu Visto FIlmes

Normalmente eu só faço post sobre figurino de filmes, mas como essa semana é Halloween (e eu não consegui fazer o post de “Mulheres no Cinema” essa semana) eu resolvi fazer algo diferente (leia especial hahaha), comentar sobre o figurino da série Lovecraft Country.

A série de terror é baseada no livro de Matt Ruff de mesmo nome (Território Lovecraft, em português) e conta a história do veterano de guerra, Atticus, que volta para casa depois que o pai desapareceu e, junto com o tio George e uma antiga amiga, Leti, vai em busca dele.  

 

Muito mais que uma história de terror que lembra muito aqueles livros infanto juvenis do tema (o que é meio nostálgico e faz muito bem), a série traz muito mais: um elenco ótimo; o terror mesclado ao medo e horror de um país segregacionista (a história se passa em 1950 nos EUA); dos 10 episódios  5 são dirigidos por mulheres - Cheryl Dunye, Misha Green (escritora e produtora da série também junto com Jordan Peele e J.J. Abrams), Victoria Mahoney, Helen Shaver e Charlotte Sieling) sendo a maioria delas negras; e, algo para mim que foi o maior destaque, um protagonismo feminino (embora o personagem principal seja o Atticus, as mulheres, para mim, ganharam muito mais destaque e a Leti acabou se tornando a personagem principal).

 

Outro ponto a se destacar é que nenhum dos personagens da série são 100% bons ou 100% maus, todos eles são personagens reais que tomam decisões duvidosas e, as vezes, se tornam até meio chatos e parecem pessoas manipuladoras.

Muita gente achou a série confusa, porque cada episódio contava a história de um personagem, para que no final tudo se encaixasse, porém não me incomodou, na verdade foi um dos pontos positivos da história para mim e eu gostei sim do final que me surpreendeu, não achei q fosse terminar como terminou. A única coisa que eu não gostei é que a história de amor entre a Leti e o Atticus me pareceu meio fraca, eu gostei muuuuuuito mais dos outros casais da história do que desse.

Voltando agora ao tema principal deste blog que é o figurino. Como dito anteriormente, a série se passa no verão década de 1950 nos EUA pós guerra, e os estilo de todos os personagens é bem fiel ao período.

Começando com os personagens masculinos, como era um pós guerra, os homens queriam passar a ideia de “bons cidadãos” e, assim sendo, acabavam todos usando quase as mesmas roupas, não havia na época, e por isso na série também, grande diferença de figurino entre eles: calças estreitas, gravatas (quando aparecia) finas, uma paleta de cores com muito bege, preto, cinza, azul e verde mais escuros e, principalmente no personagem Atticus (talvez por ser mais jovem) cores mais “berrantes” de vez em quando, além dele ter um estilo meio “rebelde” que teve origem na década de 1950.




Quanto as mulheres temos uma certa diferenciação entre elas: a Hippolyta, tia do Atticus e a minha favorita por todo o desenvolvimento que ela teve na série, tem um estilo muito voltado para o Lady Like (vestidos e saias bem femininos), com muita influencia do vestido acinturado americano. É interessante observar que ela usa roupas que caracterizam muito a “dona de casa”.

A irmã da Leti, Ruby, passeia muito entre o estilo um pouco mais conservador, como o dito acima, com o estilo que as mulheres mais jovens dos anos 1950 usavam, então o figurino dela tem muito vestido acinturado, principalmente quando ela vai trabalhar, shorts de cintura alta e regatas.



 A Leti, como a protagonista da história, tem um figurino muuuuuuito “fashionista” e que seria facilmente usados hoje em dia: calças e shorts de barriga de cintura alta, usando com blusas curta (cropped) que deixam um pouco da barriga de fora e, alguns vestidos de cintura marcada.



 

Temos ainda a Christina, a vilã, que abusa de um estilo mais “tom boy”, com calças e blusas que parecem ter sido tiradas do guarda roupa masculina, mas que tem tudo a ver com a personagem que tenta buscar uma aprovação e igualdade de poder perante os homens.


  

É legal também observar o cuidado que tiveram com a maquiagem, seguindo o estilo da época, e com a roupa intima, já que muitas vezes é possível notar as mulheres usando o sutiã cone, que foi uma peça muito popular na década de 1950.


O figurino, que ainda conta com a inspiração da Elza Soares em uma das cenas, é da Dayna Pink que quis revelar muito das personagens através dele.

Wrote by Eu Visto FIlmes

Olá, como vocês estão? Resolvi fazer esse post sobre um dos mais novos filmes da Netflix: Enola Holmes. A meu ver, a pequena história da irmã mais nova do Sherlock Holmes que sai em busca da mãe que sumiu, pode ser classificada em uma história de heroína.

Eu confesso que sou muito desconfiada com filmes produzidos pela Netflix, mas esse foi uma surpresa agradável e divertida, ele é exatamente aquela história que nós crianças vemos entre os nossos 8 a 12 anos sobre aventuras que nos façam ter vontade de ser exatamente como o personagem principal (quem nunca assistiu “Os Batutinhas” e não teve vontade de participar de uma corrida ou ter um clube com os amigos?) e o mais interessante é que a protagonista da história é uma GAROTA! Quando eu era mais nova, as meninas sempre ficavam com a parte romântica, ou com a inteligência (olá Hermione) e tudo isso jogado em um segundo plano, nunca era a protagonista e, nesse filme, essa é a coisa que mais me interessou e eu queria muito que, na minha época, tivessem existido filmes dessa forma.

O filme, que se passa em 1884, mostra importantes eventos que ocorreram naquela época (mas sem aprofundamento já que é um filme para CRIANÇAS) e tem muito feminismo dentro dele. Além disso conta com um ótimo elenco Millie Bobby Brown como Enola, Henry Cavill como Sherlock Holmes (um Sherlock diferente do que eu tinha na cabeça, mais centrado e menos esquisito, só que esse é o legal dessa figura tão importante da literatura, ela pode ser interpretada de várias formas), Sam Claflin como Mycroft Holmes (pra mim faltou só uma importância familiar maior ao personagem) e Helena Bonham como Eudoria Holmes.

A história se passa durante a era vitoriana, período que a figurinista Consolata Boyle tem bastante experiencia (se olharmos o currículo dela vemos que ela foi a responsável pelo figurino de filmes que se passam no mesmo período, como Victoria e Abdul e Miss Julie), e foi na silhueta do período junto as mudanças que ocorriam na época, como o sufrágio feminino e a Lei da reforma inclusive tratados no filme, que Consolata se inspirou  para a criação do figurino do filme e, assim como a maioria dos figurinista responsáveis por roupas de época, ela buscou influencia em pinturas e fotografias da época, além da coleção do Victoria & Albert Museum (um dos maiores museus no que diz respeito a indumentária).

Durante o filme a gente nota que a personagem principal sofre certa evolução que reflete nas roupas, inicialmente ela usa vestidos soltos sem espartilho e sem nada que marcasse o corpo, existe só a cintura um pouco marcada. Além disso, ela ainda era uma “criança” e isso é visto nas golas que todos os figurinos dela “antes de ir para Londres” tem.

Enola utiliza diversos disfarces e dois deles são os que chamam mais atenção e que, de certa forma, ajudam na transição da menina para a mulher. O primeiro é o vestido vermelho que, segundo a figurinista, foi inspirado nos trajes do Music Hall da era vitoriana, nele há o uso da crinolina (aquela saia de metal colocada embaixo do vestido para dar volume ao quadril e exagerar a forma feminina, a moda da época), espartilho e decote, criando assim o “vestido de noite” da época. Ela completa o “look” com uma pequena bolsa, um acessório criado no início do século XIX.

 
 


 

O segundo disfarce, que para mim é o mais interessante, é o de viúva. Não sei se é de conhecimento de todos, mas durante a era vitoriana existia uma espécie de “código de vestimenta do luto” e, cada fase, possuía características próprias e, no filme, o disfarce de Enola é da primeira fase do luto, aquela mais dolorida, por isso ela usa apenas preto, tecidos lisos e sem brilho e um enorme véu, como a moda do período.

 


O filme todo é uma transição da personagem e, em um das última cenas, a gente pode vê-la usando um vestido de cores claras e simples, lembrando os usados no começo do filme, com a cintura marcada e um decote discreto, o que demonstra a influência de Londres e todo o crescimento que a personagem teve.

 

Quanto aos irmãos Holmes, o mais velho, Mycroft, ele faz o estilo alfaiataria da época, com uma sobrecasaca de abotoamento duplo e uma cartola (o estilo mais formal da moda masculina da era vitoriana. Já Sherlock, utilizava o mesmo estilo de roupa, porém de abotoamento simples e sem a cartola, tornando-o um pouco mais informal. 



 E, embora a intenção talvez não tenha sido um figurino “ecofriend”, nas cenas de flashback do filme, com Enola e a mãe, Consolata optou por usar linho, tecidos e pinturas naturais para evocar uma imagem de libertação e uma vida simples e longe dos padrões da época para a garota.


 

Wrote by Eu Visto FIlmes

 Eu confesso que queria esperar um pouquinho mais para escrever sobre o figurino desse filme, que foi um dos meus favoritos de 2019, porém esse mês eu não consegui assistir nenhum filme e esse era um dos que estavam mais frescos na minha memória.

Little Women (2019, dir. Greta Gerwig), ou Adoráveis Mulheres em português, é a adaptação do livro de mesmo nome (anteriormente chamado “Mulherzinhas”) da escritora americana Louisa May Alcott. Ele vai contar a história das 4 diferentes irmãs da família March, tendo o protagonismo em Jo durante o século 19. O filme, para algumas pessoas, foi um tanto complicado de ver, pois ele não segue exatamente uma ordem cronologia (vai para o passado e volta para o presente sem uma forma especifica).

O que muita gente não sabe é que o livro da Louisa May Alcott, inicialmente, só ia até uma determinada parte e todos os finais de todas as irmãs ficava em aberto, porém, por causa de muita insistências de leitores e da própria editora, Louisa resolveu fazer uma segunda parte e dar o tão pedido final feliz. Acontece que a autora não queria que Jo, a principal, se cassasse, mas o editor insistiu dizendo que ninguém queria um final daquele para a protagonista e tão amada personagem e exatamente isso é possível ver no filme.

A diretora Greta Gerwig fez um excelente trabalho misturando a própria vida da autora com a da protagonista Jo (se você leu o livro sabe que o final e muitas coisas que acontecem com a Jo são diferentes). Eu gostei disso que a diretora trouxe e para mim ficou muito melhor do que o próprio final que a Jo recebeu de Louisa, ainda que sob pressão e, tenho para mim, que a autora teria adorado o final aonde sua vida se mistura com a da sua personagem principal tão amada e querida.


 A figurinista do filme é a já conhecida Jacqueline Durran (tem um post sobre o figurino que ela criou para A Bela e a Fera aqui no blog) e, mais uma vez, ela fez um trabalho excepcional. Como as 4 irmãs tem personalidades e sonhos diferente, a figurinista e sua equipe decidiram criar uma paleta de cores para cada uma das personagens, normalmente a Jo (Saoirse Ronan) é sempre vista usando roupas com cores mais escuras como azul marinho, vermelho e preto; a Amy (Florence Pugh) sempre está usando azul claro, branco e tons claros de rosa; Meg (Emma Watson) verde claro, branco e um lilás bem claro; e a Beth (Eliza Scanlen) com rosas um pouco mais escuros e marrom. Além disso, a figurinista se inspirou em obras de arte do século 19 e fotografias para criar as peças, ela queria criar figurinos para pessoas que viviam fora da moda vitoriana vigente na época (golas altas, muitas rendas, babados, mangas bufantes, espartilhos e cores escuras).


Cada uma das irmãs tem uma representação e isso é bem claro na distinção dos figurinos de cada uma, Beth, a mais nova tem vestidos um pouco mais infantis; Jo, que representa a liberdade e rebeldia, além de usar roupas masculinas em alguns momentos, nenhum dos vestidos dela tem pompa; Beth seria a que mais segue a moda do século 19, ela é mais refinada e chique; e a Meg, que é a mais romântica delas, tem vestidos delicados, com tecidos estampados bem femininos.

Jo March




Amy March

Meg March

Beth March
 

Além das garotas, Laurie (Timothée Chalamet) também recebeu um figurino com muita pesquisa e trabalho, suas roupas são da década de 1840, ainda que a história se passe em 1860, pois ele estudou na Europa alguns anos antes e ainda carrega o estilo daquela época dos estudos.


 

Mais uma vez, Jacqueline e sua equipe tentaram criar figurinos sustentáveis, acredito que essa seja uma das “marcas” da figurinista e, por esse trabalho impecável de pesquisa e criação, ela levou o Oscar de melhor figurino, merecidíssimo, com certeza!!!

Wrote by Eu Visto FIlmes
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Historiadora apaixonada por moda, cinema e livros. Aqui você encontrará conteúdo sobre figurino de filmes e séries.

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