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Eu Visto Filmes



Resumidamente falando, o filme se passa no século XIX e conta a história do um caçador de ursos (para mim ele está mais para um ‘guia’ dos caçadores) Hugh Glass, que realmente existiu, que sofre um ataque de urso, esse também verídico mas sem tanta intensidade quanto no filme ao que pesquisei. Ele é abandonado pelos seus companheiros Fitzgerald e ‘quase’ morre várias vezes enquanto tenta reencontrar seus companheiros que o abandonaram (eu poderia fazer uma sinopse melhor, juro, mas seria inevitável não dar spolier).

O filme é um pouco violento e com um excesso de sangue (e do difícil nome em inglês que até o final dessa postagem eu não havia decorado a grafia do filme), mas que eu gostei bastante e que me deixou com sensações de angustia em muitas cenas e com uma cena final que me fez ter a certeza de que Leonardo DiCaprio ganhará o Oscar (finalmente). E, sem ficar atrás, o figurino está fantástico e foi resultado de um belo trabalho de pesquisa e dedicação da Jacqueline West que merece ser reconhecido com um Oscar...então, vamos a ele.

The Revenant tem mais personagens que o filme da semana passada, porém todos com o mesmo estilo, roupas um pouco maltrapilhas de quem esteve anos explorando e peles para a proteção contra o frio; além disso as peças não eram apenas para o filme, elas também mantinham os atores aquecidos durante as gravações. As únicas diferenciações que temos entre os figurinos, além do uniforme militar do Andrew Henry (Domhnall Gleeson), é na roupa do Fitzgerald (Tom Hardy) e do Hugh Glass (Leonardo DiCaprio).

Quanto ao primeiro, as peças, segundo uma entrevista que li da figurinista, ela usou pele de texugo que é um sobrevivente, assim como o personagem do Tom Hardy.




Já quanto ao personagem do Leonardo DiCaprio o trabalho foi bem maior, eles construíram diversas roupas para antes, depois e durante o ataque do urso, durante foram cerca de 20 porque West teve o MARAVILHOSO trabalho de fazer a roupa conforme os ataques do urso, algo que eu achei fantástico e que me fez tê-la como preferida para o prêmio. Além disso, a própria figurinista deixou claro, com o figurino, a importância do urso para o personagem do Leo, e por isso a utilização da pele de urso em certa parte do filme, pele essa que pesava cerca de 100 quilos quando molhada.




West tem um belo currículo e sempre fez ótimos trabalhos em seus filmes anteriores e não foi diferente em The Revenant aonde ela conseguiu mostrar com maestria o traje que, nas palavras da mesma, “evolui através do tempo e da natureza e experiência” e que conta uma história também além do próprio filme.

Espero que tenham gostado e na semana que vem tem um próximo filme.
Wrote by Eu Visto FIlmes
A lista do Oscar saiu \o/ e como eu havia prometido, a muito, muuuuito tempo atrás, vou fazer uma pequena e bem simples análise dos indicados a Melhor Figurino (Carol, Cinderella, The Danish Girl, Mad Max: Fury Road e The Revenant). Cada um vai sair em um post, provavelmente toda quinta-feira e, para começar, escolhi o que assisti mais recentemente...




 The Danish Girl.


O filme se passa em 1926 (começa nessa data, mas fica meio confusa a passagem do tempo nele, então, pelo menos eu, não consegui identificar a data em que os acontecimentos ocorreram) e conta a história da primeira pessoa, Lili Elbe que nasceu Einar Mogens Wegener (Eddie Redmayne), que se submeteu a uma cirurgia de troca de sexo.


Eu gostei bastante do filme, apesar de alguns erros, mas na minha humilde opinião achei a personagem da Gerda (Alicia Vikander) muito mais marcante que a Lili/Einar, para mim o filme passou a impressão de que ela abdicou grande parte da vida pela Lili, foi forte pelos dois, ficou ao lado dela/dele o tempo todo e mostrou um amor incondicional pelo marido, amor esse que pareceu reciproco e foi uma das coisas que mais me emocionaram no filme. Porém, deixo essa parte de lado e agora vou falar do que, a este blog (e a esta blogueira) realmente interessa: o figurino.


A moda dos anos 1920 é, com certeza, a minha época favorita e confesso que fiquei um pouco decepcionada a principio com o figurino, mas depois me surpreendi com o que o figurinista Paco Delgado fez e apoio a indicação dele ao Oscar.


O figurino do filme é cheio de adereços de cabelo e casacos, porém nada tão glamoroso quanto eu tenho no meu imaginário sobre os anos 1920 (leia-se ‘sobre Gatsby’), pelo contrário, é simples, porém bem trabalhado de acordo com cada personagem, os quais falarei abaixo:




Oola Paulson (Amber Heard): É uma bailarina que eu não consegui informações se realmente existiu, porém do filme todo é a que para mim tem o melhor figurino. Seus vestidos tem mais brilhos, são mais coloridos e mais ‘ousados’ para a época (um deles possui até uma pequena abertura na lateral do tornozelo). Ela é a que mais se assemelha ao estilo glamoroso dos anos 1920 que eu tenho em minha mente.




 Gerda Wegener (Alicia Vikander): Com certeza a minha personagem preferida, ela passa boa parte do filme de robe e roupas de dormir (ela usa uma camisola que parece ser de seda muito linda e que tem grande importância no filme) que são peças delicadas e bem trabalhadas nos detalhes, principalmente os robes. Ela tinha típicas características da melindrosas em seu figurino, com os vestidos que não marcam a cintura e deixam o tornozelo a mostra e os chapéus, além dos cabelos que ficam mais curtos na metade do filme. Além disso, o figurinista teve o brilhante trabalho de recriar as botas típicas dos anos 1920, cano médio com cadarço, bico arredondado e que ela usa em boa parte do filme.




Lili/Einar Wegener (Eddie Redmayne): Quanto ao Einar seu figurino é composto pela famosa calça Oxford, principalmente quando ele começa a ser mais Lili que Einar, na época a peça era vista como um sinal de efeminação pela geração mais velha. Já quando é Lili, o figurino torna-se bem mais delicado, e de certa forma até mais feminino, que o das outras duas personagens sendo composto por vestidos leves, de cores neutras, com detalhes florais e carregado de echarpes e casacos, trazendo os tornozelos a mostra também, porém, ao meu ver, isso é uma forma de homenagear e mostrar o quando Lili/Einar admiravam Gerda (explico mais abaixo).


• Coisas que gostei e não gostei no filme.


Duas coisas que eu gostei bastante em ‘The Danish Girl’: uma figurante que tem apenas uma frase no filme todo que exibe um figurino A la garçonne que é algo bem típico de uma Paris no final de 1926; e o destaque que eles dão para os tornozelos a mostra, como disse acima. Em uma das cenas Einar diz ser isso que chamou sua atenção em Gerda, essa atitude era uma espécie de flerte das mulheres da época e que era um tanto ousado, e isso revela um importante tranço de Gerda: ela era uma mulher de atitude, independente e que havia deixado de lado certos padrões da sociedade e esse traço Paco Delgado conseguiu mostrar bem no personagem dela.


Acho que apenas uma coisa deixou a desejar no quesito figurino, na verdade no quesito maquiagem e cabelo, que foi o cabelo da Alica Vikander (Gerda) que fica bem visível que se trata de uma peruca, passando longe a impressão de cabelo natural.


Ao todo o trabalho de Paco Delgado (que já foi indicado ao premio em 2012 por Les Misérables) foi bem delicado, simples e cuidadoso por recriar roupas que estão nos quadros de Gerda e por conseguir, junto ao diretor do filme, mostrar a importância da roupa na descoberta de Einar (não contarei já que é spoiler).


Espero que tenham gostado e quinta que vem tem mais....
Wrote by Eu Visto FIlmes
Moda + Cinema, para mim, essa é a mistura perfeita, e o que melhor demonstra isso são os indicados a categoria de "Melhor Figurino" do Oscar. E hoje, nesse primeiro post, vou falar um pouco sobre as minhas apostas de possíveis indicados a categoria que oficialmente só saíram em 2016 (e que ai dedicarei a fazer um post detalhado de cada filme).

O primeiro deles é Cinderela que é a história da famosa princesa da Disney (ok que a Cinderela se torne princesa depois do casamento, certo?) e, ao pensarmos em princesa a primeira coisa que vem a cabeça são os brilhantes e volumosos vestidos e a figurista Sandy Powell conseguiu com maestria trazer todo esse imaginário das vestimentas para a versão filme da famosa animação.

O segundo é filme Brooklyn, uma história de amor (segundo criticas e sinopses porque eu ainda não assisti o filme) que se passa na década de 1950, sendo assim o figurino é de época e talvez por esse fato e pela possível indicação ao Oscar de Melhor Filme que ele entre na categoria de Melhor Filme, mesma coisa que provavelmente acontecerá com Joy, mas, como eu disse, eu não assisti o filme ainda, apenas vi fotos, então não posso julgar muito.

Agora ao primeiro dos meus três preferidos: Carol. O filme, que tem sido bastante comentado e ganhou alguns prêmios, tem a mesma figurinista de Cinderela, a britânica Sandy Powell, que conseguiu colocar no figurino de época, o filme se passa na década de 1950, as características das duas personagens principais.

 
Apenas por essa foto, pelo menos eu, percebo que Sandy colocou roupas de uma garota um pouco "a frente de sua época" (se não me engano acho que ela inclusive usou calças) que é a personagem de Rooney Mara, a Therese Belivet, e a de uma mulher de classe média alta que vivia segundo o que a sociedade dizia ser o certo para uma mulher naquela época na personagem Carol Aird (Cate Blanchett), Sandy, para mim, conseguiu fazer um belo trabalho nesse filme.

Segundo temos A Garota Dinamarquesa aonde o figurino é uma parte, segundo o que vi pelo trailer, bem importante não apenas para o filme, mas para a construção da história, do personagem se descobrir. O filme é de época e boa parte do figurino tem inspiração nas roupas que Lili Elbe (Eddie Redmayne) usou nos quadros que Gerda (Alicia Vikander) pintou dela. Podemos ver então o quanto as roupas influenciaram a pessoa de Lili Elbe e, assim sendo, eles não poderiam ter deixado essa parte ser feita por qualquer um e de qualquer forma. E o mais legal, para mim claro, é que essa produção é tão maravilhosa que consegue transformar Eddie Redmayne em uma versão mais velha da Jessica Chastain (acho os dois fofos e super talentosos, então isso não é uma crítica ruim ok?).

 
Agora o meu último favorito, Macbeth. Eu poderia fazer uma lista com, no mínimo, 5 motivos do porque esse filme é meu preferido, mas vou limitar a uma pequena explicação. O figurino é algo bem trabalhado e sempre que vejo alguma imagem do filme (uma delas é o meu papel de parede do computador) penso estar diante de uma pintura gótica (e uma em especial me da vontade de chorar). A indumentária é simples se compararmos a outras super produções shakespearianas, porém é muito bem trabalhada. Os figurinos, ao que parecem na foto abaixo, são ricos, mas de maneira simples e até onde as fotos nos permitem ver, parece que os figurinistas tiveram êxito no material e no estilo de roupa do filme remontando a época em que o texto de Shakespeare se passa. 


Ai estão os, ao meu ver, possíveis indicados e futuramente, quando a lista oficial sair, prometo escrever de maneira detalhada sobre cada um.
Wrote by Eu Visto FIlmes
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Historiadora apaixonada por moda, cinema e livros. Aqui você encontrará conteúdo sobre figurino de filmes e séries.

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