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Eu Visto Filmes

A premiação do Oscar 2017 acontece nesse domingo (26/02), e essa semana eu postar sobre os indicados ao Oscar de melhor figurino, começando pelo meu favorito 'Animais Fantásticos e Onde Habitam'...

A começar devo confessar que não sou muito fã de Harry Potter (apesar de ter assistido a todos os filmes, grande parte deles na estréia, nunca li nenhum livro), mas ainda assim de todos os indicados ao Oscar de Melhor Figurino desse ano “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é com certeza o meu favorito e isso se deve ao fato de que  um dos meus atores favoritos está nele) o filme se passa na década de 1920, minha década favorita no quesito moda e literatura.

O filme se passa antes do Harry Potter nascer, na verdade acho que antes dos pais deles, mas não tenho certeza com Newt Scamander chegando a Nova York com sua maleta cheia de “animais fantásticos”, tendo alguns deles escapado e a partir daí começa a “aventura” que acaba tomando outros rumos e vilões (não darei spoiler). Fora alguns erros o filme, na minha opinião, é muito bom, talvez não tão bom quanto a franquia de Harry Potter, porém é muito cedo ainda para comparar os dois.

Sobre o figurino...

Como principais o filme conta com 6 personagens que são bem distintos entre si no figurino que, o mais interessante, não mudam muito (talvez pelo fato do filme se passar em um período de cerca de dois dias?). Vou começar então pelos figurinos masculinos dessa vez:

Newt Scamander (Eddie Redmayne): diferente dos outros figurinos, o de Newt é o único que não faz jus a época a qual o filme se passa, pelo contrário, o figurino dele parece ter saído da época vitoriana. Não sei dizer, mas o estilo do personagem parece ter sido proposital, por ser ‘atrapalhado’ e, assim, não ser tão ligado a moda. As peças mais interessantes são a gravata e o sobretudo azul que o personagem utiliza quase o filme todo, pois parece que a figurinista se influenciou pela moda de ternos azuis tão recente (na verdade o figurino inteiro de Newt parece ter saído de um desfile da Gucci sob o comando do Alessandro).



Percival Graves (Colin Farrell) / Jacob Kowalski (Dan Floger) / Credence Barebone (Ezra Miller): os três, apesar de estilos distintos, tem figurinos (ternos e calças oxford) tipicamente dos anos 1920, com o figurino do Percival sendo um pouco mais formal.





Queenie Goldstein (Alison Sudol): enquanto sua irmã possui um estilo a la ‘garçonne’, Queenie minha personagem preferida do ‘mundo Harry Potter’ tem um estilo mais ‘melindrosa’, maquiagem, penteado e seus vestidos retos, chamativos, sem marcar a cintura e com comprimento um pouco acima do joelho (ainda que na década de 1920 os vestidos fossem abaixo do joelho, porém pode ser por conta da altura da atriz). 




O que eu achei mais legal na Quennie, assim como na Porpentina, é que a figurinista parece ter se inspirado em estilistas da própria década de 1920, nesse caso nos modelos criados por Elizabeth Hawes (imagens abaixo). O decote, de trás e da frente, e o ‘detalhe’ da frente (esse mesmo detalhe é possível ver em Chicago, outro trabalho da figurinista) lembram bastante os modelos criados por ela.






Porpentina Goldstein (Katherine Waterston): como dito anteriormente, Porpentina tem um estilo a la ‘garçonne’, facilmente identificado pelo corte de cabelo (faltando apenas a franja). Diferente da sua irmã, que usa vestidos e é mais feminina, ela usa calças, o que para a década de 1920 não era algo tão comum e bem visto na sociedade da época.


 


Ao meu ver o figurino da personagem lembra bastante o estilo das atrizes Marlene Dietrich e Louise Brooks (fotos abaixo). E, para terminar, a única vez que Porpentina usou um vestido, assim como sua irmã, parece ter sido inspirado, também, pelos modelos da Elizabeth Hawes.

 


Quanto a figurinista Colleen Atwood, se não estou enganada, de todos os indicados, é a única que já ganhou um Oscar anteriormente (11 vezes) e que ganhou 3 (Chicago, Memórias de uma Queixa e Alice no país das maravilhas). Infelizmente não encontrei nenhuma entrevista em que a figurinista, Colleen Atwood, fale sobre suas inspirações e o trabalho na montagem dos personagens...




Wrote by Eu Visto FIlmes
Rapidamente falando, o filme passa a história do retorno do Tarzan (Alexander Skarsgård) ao Congo após ter saído dele e estar vivendo em Londres com, agora sua esposa, Jane (Margot Robbie <3 ). O filme é bem legal e, na minha opinião, inovou com esse tema (embora, como li em uma crítica, existissem vários aspectos que poderiam, de forma dramática, serem melhor tratados), porém, de um todo, o filme é interessante.

Em um todo as atuações, efeitos, etc, são muito bons, porém quando se diz respeito ao figurino, principalmente o da Jane quando voltam ao Congo, me deixou um pouco incomodada (no quesito fidelidade a época). Nas primeiras cenas em que ela aparece, o casal, Jane e Tarzan, ainda estão em Londres e até aquele momento há grande fidelidade a moda londrina da década de 1880 (Era Vitoriana).

O vestido azul, de todo o figurino da Jane, é o que mais se assemelha a moda de 1880 (tirando o decote), claro que há diferenças, como a falta de espartilho, mas a Jane do filme foi criada no Congo desde pequena, então a cultura dela é diferente e, de certa maneira, ela teve de se 'adaptar' a esse 'novo mundo' assim como Tarzan e isso fica nítido em uma das falas dela quando está fazendo malas e pergunta quantos espartilhos deve levar, pois 'uma mulher convidada da rainha deve desmaiar pelo menos duas vezes' (algo assim). E o vestido branco se trata de uma camisola, que não era diferente das 'roupas de baixo' usadas na época.
 


Quanto o figurino da Jane quando está no Congo, em Flashbacks ou quando eles voltam, eu achei ambas as roupas um tanto fora da época (ao meu ver se assemelhavam muito mais as décadas de 1940 e 1950 que de 1880). Claro que muitas coisas devem ser levadas em conta e a duas principais (ao meu ver) são o fato de Jane ter sido criada com outros costumes, de não ter nascido em uma sociedade urbana londrina então espartilhos, saias volumosas e cintura fina não faziam parte dela (como dito anteriormente), por isso o vestido simples e soltinho dos flashbacks e a saia e 'camisa' folgadinhas de quando eles voltam ao Congo; e a segunda é o fato de que o tipo de vestido usado durante a era vitoriana não era uma vestimenta cabível para se usar na selva.


Agora o figurino masculino acredito que tenha sido mais fiel a época, como na foto abaixo aonde o Tarzan e o personagem George (Samuel L. Jackson) usam um morning suit (fraque) cada um. Quanto as roupas no Congo, bom, o Tarzan usa apenas um shorts de alfaiataria e o personagem George usa roupas que misturam um pouco do Cowboy americano com roupas de caça, essa última muito presente no figurino do capitão Rom (Christoph Waltz) que lembram, novamente, peças de 1940/1950.


Agora uma desculpa, da minha parte, não consegui achar muitas informações sobre o figurino então uma das peças que mais achei interessante, a do Chefe Mbonga (Chefe Mbonga), fico sem dar muitas informações se a mesma segue alguma realidade (que eu acredito que não), mas mesmo assim a sua montagem com a junção de couro, tecidos com print imitando pele e o osso na máscara eu achei muito interessante.


Ponto Negativo: na verdade não é exatamente algo relacionado ao figurino (é mais relacionado a 'maquiagem'), eles ficam boa parte do filme na selva e a barba de praticamente todos os personagens está perfeita! Desculpe, sei que é um filme, mas isso me incomodou um pouco.

Ponto Positivo: eu não consegui achar nada que confirmasse isso, mas eu gostei muito da possível lingerie feminina (foto abaixo) que a figurinista Ruth Myers deixou aparecer na Jane em uma das cenas finais do filme. Como disse, não sei se era mesmo uma lingerie, mas pareceu e eu gostei muuuuuuito disso!


Uma curiosidade do filme é que o vestido acima foi feita certa de 300 versões dele por conta de todas as 'fases de destruição' que ele sofreu durante a passagem da história.

A figurinista do filme é Ruth Myers, nomeada ao Oscar duas vezes, embora nunca tenha ganho, e a muitos outros prêmios e que tem no seu currículo (extenso, ela trabalha como figurinista desde a década de 1960) o figurino dos filmes Emma, Los Angeles: Cidade Proibida, Família Adams, A Bússola de Ouro e a série Hemingway & Gellhorn (a qual tem bastante semelhanças, a meu ver, com o filme da Lenda de Tarzan).
Wrote by Eu Visto FIlmes
Fazendo um rápido resumo do filme, Suite Francesa conta a história de Lucile (Michelle Williams) que mora com a sogra esperando o marido voltar da 2ªª G. M. que vê sua cidade que fica no interior da França invadida por parisienses e, posteriormente, por soldados alemães, sendo um deles Bruno von Falk (Matthias Schoenaearts). O filme mostra a relação dos dois e, em segundo plano, a da cidade com os soldados alemães (uma parte interessante, para mim, foi mostrar de forma bem breve as famosas que li certa vez "aliadas horizontais"). O filme é bem interessante e um dos filmes mais ‘leves’ sobre a 2ª G.M. que EU já assisti, embora alguns assuntos pudessem terem sido abordados de melhor forma.

Acho que o que menos me agradou foi a escolha dos atores principais, não que eu não goste deles porque acho a Michelle incrível e o Matthias um ótimo ator, mas para mim faltou química entre os dois, me deixando com a impressão de que a relação dos dois era muito mais um misto de atração física, carência e misturados com a guerra, do que um amor verdadeiro! (lógico que essas são as MINHAS impressões).

Agora vamos ao figurino...

O figurino feminino, principalmente de Lucile, é composto, basicamente, de vestidos, e algumas saias, bem simples, retos, alguns com um pequeno movimento, mas nada muito armado, com comprimento pouco a baixo do joelho e com estampas de flores tudo bem claro, não lembrando em nada aquela Paris chique que pelo menos eu tenho no meu imaginário. Pelo contrário, tudo é extremamente simples e me lembrou em muito roupas que minha avó usava, principalmente as estampas. A escolha das roupas mostra o quão a personagem Lucile era simples, apesar de sua diferença social com o resto dos personagens, e que tinha sua preocupação voltada para a guerra e o marido, não tendo tempo para vaidades.







Em poucos momentos dá para ver uma Lucile que se assemelha mais as ‘parisienses chiques’ que eu tenho em mente. Como na imagem abaixo e em uma cena que ela utiliza um vestido vermelho (meu preferido que, infelizmente, não achei imagens).




Claro, além de Lucile, existem outras personagens femininas que representam uma parte da população mais pobre, porém é fácil perceber que os modelos de vestidos e conjuntos de saias e blusas se assemelham, a diferença são as estampas e cores que são mais frias, pesadas e não tão alegres, talvez representando a vida mais pesada e dura que essas mulheres tinham por conta da sua classe inferior.




 
Quanto aos homens, a maior parte do elenco usa uniforme do exercito alemão, e o mesmo, no filme, parece muito com o utilizado na época durante a 2ª G. M.




Além disso uma coisa que eu percebi foi que o corte utilizado por Bruno, e outro personagens do exército alemão, foi bem reproduzido como o da época, e que, só por curiosidade, pelo menos para mim, esse corte pareceu bem atual.




Quanto ao figurinista ele é Michael O'Connor, ganhador de muitos premis inclusive um Oscar de Melhor Figurino em 2009 com A Duquesa (muitos dos filmes pelos quais ele foi indicados/venceu o Oscar e outros prêmios de melhor figurino tem a Keira Knightley como atriz) e que fez o figurino de um dos meus filmes preferidos, em todos os aspectos, Jane Eyre (2011).




Wrote by Eu Visto FIlmes
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Historiadora apaixonada por moda, cinema e livros. Aqui você encontrará conteúdo sobre figurino de filmes e séries.

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