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Eu Visto Filmes

Olá, como vocês estão? Resolvi fazer esse post sobre um dos mais novos filmes da Netflix: Enola Holmes. A meu ver, a pequena história da irmã mais nova do Sherlock Holmes que sai em busca da mãe que sumiu, pode ser classificada em uma história de heroína.

Eu confesso que sou muito desconfiada com filmes produzidos pela Netflix, mas esse foi uma surpresa agradável e divertida, ele é exatamente aquela história que nós crianças vemos entre os nossos 8 a 12 anos sobre aventuras que nos façam ter vontade de ser exatamente como o personagem principal (quem nunca assistiu “Os Batutinhas” e não teve vontade de participar de uma corrida ou ter um clube com os amigos?) e o mais interessante é que a protagonista da história é uma GAROTA! Quando eu era mais nova, as meninas sempre ficavam com a parte romântica, ou com a inteligência (olá Hermione) e tudo isso jogado em um segundo plano, nunca era a protagonista e, nesse filme, essa é a coisa que mais me interessou e eu queria muito que, na minha época, tivessem existido filmes dessa forma.

O filme, que se passa em 1884, mostra importantes eventos que ocorreram naquela época (mas sem aprofundamento já que é um filme para CRIANÇAS) e tem muito feminismo dentro dele. Além disso conta com um ótimo elenco Millie Bobby Brown como Enola, Henry Cavill como Sherlock Holmes (um Sherlock diferente do que eu tinha na cabeça, mais centrado e menos esquisito, só que esse é o legal dessa figura tão importante da literatura, ela pode ser interpretada de várias formas), Sam Claflin como Mycroft Holmes (pra mim faltou só uma importância familiar maior ao personagem) e Helena Bonham como Eudoria Holmes.

A história se passa durante a era vitoriana, período que a figurinista Consolata Boyle tem bastante experiencia (se olharmos o currículo dela vemos que ela foi a responsável pelo figurino de filmes que se passam no mesmo período, como Victoria e Abdul e Miss Julie), e foi na silhueta do período junto as mudanças que ocorriam na época, como o sufrágio feminino e a Lei da reforma inclusive tratados no filme, que Consolata se inspirou  para a criação do figurino do filme e, assim como a maioria dos figurinista responsáveis por roupas de época, ela buscou influencia em pinturas e fotografias da época, além da coleção do Victoria & Albert Museum (um dos maiores museus no que diz respeito a indumentária).

Durante o filme a gente nota que a personagem principal sofre certa evolução que reflete nas roupas, inicialmente ela usa vestidos soltos sem espartilho e sem nada que marcasse o corpo, existe só a cintura um pouco marcada. Além disso, ela ainda era uma “criança” e isso é visto nas golas que todos os figurinos dela “antes de ir para Londres” tem.

Enola utiliza diversos disfarces e dois deles são os que chamam mais atenção e que, de certa forma, ajudam na transição da menina para a mulher. O primeiro é o vestido vermelho que, segundo a figurinista, foi inspirado nos trajes do Music Hall da era vitoriana, nele há o uso da crinolina (aquela saia de metal colocada embaixo do vestido para dar volume ao quadril e exagerar a forma feminina, a moda da época), espartilho e decote, criando assim o “vestido de noite” da época. Ela completa o “look” com uma pequena bolsa, um acessório criado no início do século XIX.

 
 


 

O segundo disfarce, que para mim é o mais interessante, é o de viúva. Não sei se é de conhecimento de todos, mas durante a era vitoriana existia uma espécie de “código de vestimenta do luto” e, cada fase, possuía características próprias e, no filme, o disfarce de Enola é da primeira fase do luto, aquela mais dolorida, por isso ela usa apenas preto, tecidos lisos e sem brilho e um enorme véu, como a moda do período.

 


O filme todo é uma transição da personagem e, em um das última cenas, a gente pode vê-la usando um vestido de cores claras e simples, lembrando os usados no começo do filme, com a cintura marcada e um decote discreto, o que demonstra a influência de Londres e todo o crescimento que a personagem teve.

 

Quanto aos irmãos Holmes, o mais velho, Mycroft, ele faz o estilo alfaiataria da época, com uma sobrecasaca de abotoamento duplo e uma cartola (o estilo mais formal da moda masculina da era vitoriana. Já Sherlock, utilizava o mesmo estilo de roupa, porém de abotoamento simples e sem a cartola, tornando-o um pouco mais informal. 



 E, embora a intenção talvez não tenha sido um figurino “ecofriend”, nas cenas de flashback do filme, com Enola e a mãe, Consolata optou por usar linho, tecidos e pinturas naturais para evocar uma imagem de libertação e uma vida simples e longe dos padrões da época para a garota.


 

Wrote by Eu Visto FIlmes

 Eu confesso que queria esperar um pouquinho mais para escrever sobre o figurino desse filme, que foi um dos meus favoritos de 2019, porém esse mês eu não consegui assistir nenhum filme e esse era um dos que estavam mais frescos na minha memória.

Little Women (2019, dir. Greta Gerwig), ou Adoráveis Mulheres em português, é a adaptação do livro de mesmo nome (anteriormente chamado “Mulherzinhas”) da escritora americana Louisa May Alcott. Ele vai contar a história das 4 diferentes irmãs da família March, tendo o protagonismo em Jo durante o século 19. O filme, para algumas pessoas, foi um tanto complicado de ver, pois ele não segue exatamente uma ordem cronologia (vai para o passado e volta para o presente sem uma forma especifica).

O que muita gente não sabe é que o livro da Louisa May Alcott, inicialmente, só ia até uma determinada parte e todos os finais de todas as irmãs ficava em aberto, porém, por causa de muita insistências de leitores e da própria editora, Louisa resolveu fazer uma segunda parte e dar o tão pedido final feliz. Acontece que a autora não queria que Jo, a principal, se cassasse, mas o editor insistiu dizendo que ninguém queria um final daquele para a protagonista e tão amada personagem e exatamente isso é possível ver no filme.

A diretora Greta Gerwig fez um excelente trabalho misturando a própria vida da autora com a da protagonista Jo (se você leu o livro sabe que o final e muitas coisas que acontecem com a Jo são diferentes). Eu gostei disso que a diretora trouxe e para mim ficou muito melhor do que o próprio final que a Jo recebeu de Louisa, ainda que sob pressão e, tenho para mim, que a autora teria adorado o final aonde sua vida se mistura com a da sua personagem principal tão amada e querida.


 A figurinista do filme é a já conhecida Jacqueline Durran (tem um post sobre o figurino que ela criou para A Bela e a Fera aqui no blog) e, mais uma vez, ela fez um trabalho excepcional. Como as 4 irmãs tem personalidades e sonhos diferente, a figurinista e sua equipe decidiram criar uma paleta de cores para cada uma das personagens, normalmente a Jo (Saoirse Ronan) é sempre vista usando roupas com cores mais escuras como azul marinho, vermelho e preto; a Amy (Florence Pugh) sempre está usando azul claro, branco e tons claros de rosa; Meg (Emma Watson) verde claro, branco e um lilás bem claro; e a Beth (Eliza Scanlen) com rosas um pouco mais escuros e marrom. Além disso, a figurinista se inspirou em obras de arte do século 19 e fotografias para criar as peças, ela queria criar figurinos para pessoas que viviam fora da moda vitoriana vigente na época (golas altas, muitas rendas, babados, mangas bufantes, espartilhos e cores escuras).


Cada uma das irmãs tem uma representação e isso é bem claro na distinção dos figurinos de cada uma, Beth, a mais nova tem vestidos um pouco mais infantis; Jo, que representa a liberdade e rebeldia, além de usar roupas masculinas em alguns momentos, nenhum dos vestidos dela tem pompa; Beth seria a que mais segue a moda do século 19, ela é mais refinada e chique; e a Meg, que é a mais romântica delas, tem vestidos delicados, com tecidos estampados bem femininos.

Jo March




Amy March

Meg March

Beth March
 

Além das garotas, Laurie (Timothée Chalamet) também recebeu um figurino com muita pesquisa e trabalho, suas roupas são da década de 1840, ainda que a história se passe em 1860, pois ele estudou na Europa alguns anos antes e ainda carrega o estilo daquela época dos estudos.


 

Mais uma vez, Jacqueline e sua equipe tentaram criar figurinos sustentáveis, acredito que essa seja uma das “marcas” da figurinista e, por esse trabalho impecável de pesquisa e criação, ela levou o Oscar de melhor figurino, merecidíssimo, com certeza!!!

Wrote by Eu Visto FIlmes

 Oieee, como vocês estão? Eu decidi fazer uma coluna um pouco diferente das outras, ela não terá um dia certo para ser postada no blog, chamada “Dress Code” (tradução: código de vestimenta, termo para designar um tipo de vestimenta utilizado em um lugar).

Talvez alguns de vocês já estejam familiarizado com o termo (se você assistiu “The Crown” sabe mais ou menos como ele funciona) e, no meu blog, vou aplica-lo para explicar sobre figurinos que tem significado, para ficar mais claro: um vestido que, pela cor, demonstra o humor da personagem naquela cena.

O primeiro filme dessa coluna será Swallow (em português devorar). A história é sobre uma dona de casa entediada que vive “trancada” em uma espécie de palácio contemporâneo e em um casamento perfeito, que passa a ter alotriofagia, um transtorno psicológico que faz a pessoa engolir coisas que não sejam alimentos, quando descobre que está grávida. O filme em si é bem incômodo e talvez seja um pouco difícil continuar assistindo para algumas pessoas, e conta com a atuação perfeita da Haley Bennett como Hunter (adoro essa atriz) e com uma arte e figurinos que passam muitas mensagens.

 Assim que eu terminei o filme, sem fazer pesquisa, a primeira coisa que me veio a cabeça foi que a personagem principal (Hunter) tinha um “quê” de Betty Draper (primeira esposa do personagem principal de Mad Men) e acabei descobrindo depois que a diretora de arte trabalhou na série e ela levou algumas coisas desta para o filme.

O filme inteiro gira em torno da Hunter e seu distúrbio, portanto, aqui eu falarei apenas do estilo dessa personagem. A Hunter tem um estilo “lady like”, que nada mais seria que saias, vestidos e peças extremamente femininos, abusando de cores como rosa, branco, vermelho e até as vezes um azul e amarelo, mas nada muito forte e chamativo, remetendo aos anos 1950 quando Christian Dior inventou o “new look”.

 

  

No começo, quase o filme inteiro, a Hunter é uma personagem submissa e isso é refletido na escolha do figurino dela. Ela abusa de saias e vestidos e as cores do mesmo nos passam as mensagens de: relaxamento, limpeza e gentileza (quando ela usa azul); carinho, sensualidade, delicada, doçura, inocência e infantilidade (rosa); e paz, pureza, modéstia, calma, inocência (novamente), harmonia e estabilidade (branco).

 

 
 
 
 
 
 
 

Note que eu destaquei a palavra ESTABILIDADE no branco porque é ai que entra a mágica e o trabalho maravilhoso da figurinista: TODOS os momentos que a personagem aparece usando branco mostra que ela está, na visão do noivo e da família dele, estável e controlada e quando isso vai se perdendo e a Hunter passa a ter uma maior consciência sobre ela mesma, a personagem começa a usar calças (em um ponto ela usa calça jeans o que demonstra a liberdade dela já que a peça “historicamente” está associada a uma certa liberdade e rebeldia) e a cor preta que está demonstrando a dor que ela enfrentou e está enfrentando, a angustia, o fato dela estar indo “contra as regras” que lhe foram impostas e, por fim, certa agressividade que em momento algum ela demonstrou até aquele ponto.

 


 

A figurinista Liene Dobraja foi extremamente perspicaz pois conseguiu fazer um figurino inteligente utilizando recursos de Colorimetria para passar mensagens dos sentimentos da personagem para os telespectadores e, para mim, apesar de não ser luxuoso e nem um figurino de época, esse é um dos filmes que eu daria 10 para o trabalho da figurinista.

Wrote by Eu Visto FIlmes
No post de hoje eu vou falar sobre uma adaptação (live action) que, eu me recordo, foi muuuuuito aguardada, por conta da história, pelo fato da Bela ser uma das personagens favoritas de muita gente e por causa do elenco; e sei que decepcionou um pouco: A Bela e a Fera (2017, dir. Bill Condon).

Vou começar dizendo que EU não sou público para histórias de princesa, desde criança eu nunca assisti nenhuma história de princesa da Disney (meus desenhos favoritos eram Hércules e Anastasia), então eu não tinha expectativa alguma sobre o filme e, como eu não sei quais aspectos da adaptação são iguais e quais divergem, então não tenho como falar sobre isso.

O filme conta a tão conhecida história de uma garota inteligente, gentil, simples e leitora (Bela era obcecada por livros), totalmente diferente das outras pessoas da vila aonde ela mora, que troca de lugar com o pai após ele ser preso por uma Fera e, no fim, todos sabemos que Bela e a Fera se apaixonam (acho que não tem nenhuma novidade na sinopse...).

Ao meu ver, quando se trata de um live action, ainda mais um tão popular e que tem uma legião de fãs, o figurino (caracterização em geral) é muito complicado, talvez o aspecto mais difícil de filmes desse tipo, porque as pessoas sempre vão querer algo FIEL ao original e eu sei que com o figurino de A Bela e a Fera houve problemas (e grandes reclamações) por conta disso. 

A figurinista do filme é uma das minhas favoritas, Jacqueline Durran. Para mim, ela executou de maneira bela um trabalho muito complicado, fazer algo ao mesmo tempo novo e parecido ao original, e eu vou discorrer o porque eu achei o figurino excelente.
Primeiro, o figurino do Gaston e do Lefou. No desenho, Gaston era um caçador e, na adaptação ele e Lefou tornam-se soldados (ex?) do exército francês (a história original de A Bela e a Fera foi escrita, e se passa, no século XVIII, então, talvez, o diretor quisesse ter pego esses aspectos da época) e toda a vestimenta dos dois é baseada no uniforme do exército francês do século XVIII.




Mais ou menos como era o uniforme do exercito francês no século XVIII - Imagem do Pinterest

Em uma entrevista a Entertainment Weekly,a figurinista revela um pouco sobre a criação do figurino da Bela, ela criou peças que fossem mais soltas e leves aonde a personagem (e a atriz Emma Watson que a interpreta) pudesse correr e se movimentar. Nesse novo longa a personagem adquire caracteristicas mais feministas então é possível a gente observar em diversas cenas, por exemplo, que ela prende um lado da saia do vestido em uma parte da cintura, mostrando parte da “roupa de baixo” (outro elemento que facilita a movimentação da personagem e dá ela ela características mais reais e feministas).  





O vestido amarelo, tão característico da personagem no desenho, ficou um pouco diferente no live action. Jacqueline contou na mesma entrevista citada acima que testou vários tecidos e tons de amarelo e que, por fim, decidiu por fazê-lo em cetim (95 metros ao todo) com 2.160 cristais Swarovski, ao todo levou-se mais de 12 mil horas para  criar apenas esse vestido (esse trabalho todo também ocorreu com o vestido da Cinderela em outra adaptação live action). Emma Watson participou da criação do vestido e Jacqueline conta que "Para Emma, era importante que o vestido fosse leve e que tivesse muito movimento. Na interpretação de Emma, Bela é uma princesa ativa. Ela não queria um vestido que tivesse espartilho ou que fosse impedi-la de qualquer modo."

Imagem do Adorocinema


Quanto a Fera, Jacqueline e sua equipe fizeram toda a vestimenta do personagem, mas teve que ser recriada pela equipe de efeitos especiais que teve que adaptá-la para a tela levando em consideração os movimentos. O traje mais icônico do personagem, que durante o filme todo tem trajes lindíssimos e cheios de detalhes, é o que ele usa na hora da dança, o casaco foi criado com veludo, fios de ouro e cerca de 22 mil cristais Swarovski.



Quanto aos personagens que foram transformados em objetos, é possível notar nas roupas deles elementos que remontam aos objetos em que foram transformados.




Ok, o figurino é excelente, porém a parte que mais me chamou a atenção foi o fato dele tentar ao máximo ser “ecologicamente correto”. Jacqueline Durran não tem redes sociais, porém ela tem uma assistente, Sinéad Kidao, que em sua página do instagram ( @ thecostumedirectory ) compartilha muitas informações e o processo de criação dos figurinos e é possível encontrar algumas postagens sobre a criação da vestimenta em A Bela e a Fera.

A assistente mostra que o figurino com a capa vermelha (imagem abaixo) foi um desafio que a equipe de figurino se fez para criar uma vestimenta sustentável e correta, ela toda foi feita de tecidos reciclados, tingimento com produtos naturais, lãs com certificado (que mostram que são feitas de forma ecologicamente correta) e produção que não tem impacto algum no meio ambiente. Além disso utilizaram padrões feitos a mão por um artista londrino (em outro traje eles também utilizam artistas, dessa vez indianos, para a criação das estampas no tecido) e, também, a Bela possui apenas 6 looks que são mesclados para dar a impressão que ela possui mais. É muito importante que se pensem em um figurino criado de forma sustentável, pensem quanta roupa é feita para um filme, o quanto os processos durante essa criação podem ser duvidosos e quanto dessas peças são reaproveitadas? Definitivamente essa questão foi a que me fez gostar, e muito, do figurino criado para o filme.


Imagem do instagram @thecostumedirectory
Figurino sustentável

Figurino sustentável
Figurino com tecido com estampa de artistas indianos




Wrote by Eu Visto FIlmes
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Historiadora apaixonada por moda, cinema e livros. Aqui você encontrará conteúdo sobre figurino de filmes e séries.

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